O que a Bahia, São Paulo e Mato Grosso tem em comum? A luta pela moradia. O Quilombo Rio dos Macacos e o Assentamento Canaã estão em vias de expulsão (da mesma forma como ocorreu em Pinherinho). As reintegrações seguem a mesma lógica: a expulsão de famílias que vivem no local em detrimento de grandes empresários que visam lucrar milhões nos terrenos.
No assentamento Canaã (MT) as famílias estão na luta há meses contra uma liminar de reintegração de posse. Algumas famílias iniciaram um processo de limpeza do espaço e começaram a construir casas de alvenaria. As famílias transformaram o terreno improdutivo em um local social, onde relações entre moradores foram estabelecidas. Existem cerca de 300 famílias no local. Agora, o suposto dono quer o lugar que por décadas esteve abandonado.
No Quilombo Rio dos Macacos (BA) a história se repete. Desta vez, o inimigo muda de nome: Marinha. A Marinha iniciou uma série de ataques aos moradores com o objetivo de expandir um condomínio para os oficiais. Hoje a Marinha impede a circulação de pessoas causando um verdadeiro terrorismo no local. O quilombo é uma das comunidades mais antigas descendentes de escravos do Brasil.
Essas duas histórias lembram o massacre que ocorreu no Pinheirinho (SP) onde viviam mais de 1.600 famílias. Elas iniciaram um processo de organização e resistência contra uma liminar de despejo. Após um mandato dizendo que não haveria a reintegração por 15 dias, a polícia (a mando do governo de São Paulo e da cidade de São José dos Campos) despejou as famílias um dia depois desconsiderando o mandato.
Novamente o estado intervem para garantir os interesses do Capital, destruindo a vida de diversas famílias e a organização dos trabalhadores. A truculência e operação de guerra montado pelo governo foi apenas uma mostra do que vai ocorrer nos próximos anos no Brasil: famílias sendo retiradas dos locais onde vivem em detrimento de grandes empresários. O setor imobiliário entra em cena em busca de terrenos onde poderão lucrar bilhões após a expulsão de diversas famílias.
A luta dos moradores desses locais se amplia para outras cidades e bairros que enfrentam o mesmo problema, além da solidariedade irrestrita dos movimentos sociais.


